Imersão no UX Writing em 4 dias
Nos últimos quase 2 anos eu tenho me dedicado a estudo sobre Copywriting e UX Writing. Ambas ferramentas eu estou tendo a sorte de ser cada vez mais inserida no meu trabalho.
Nesse tempo, eu fiz diversos cursos, uns pagos, uns gratuitos e todos com cronogramas semelhantes. Mas, mesmo com o programa parecido, sempre achei interessante ouvir sobre perspectivas de trabalho de diferentes pessoas, então, sempre me propus a participar e assistir a todos.
Em julho desse ano, participei do UX Writing Day, organizado pela Mergo. No workshop, eu conheci o trabalho do Bruno Rodrigues. Um mestre em comunicação, que tem dedicado seus últimos anos a estudos sobre UX Writing, tanto que seu projeto final de mestrado foi um livro sobre o assunto, chamado ‘’Em busca de boas práticas de UX Writing’’.
Quase como uma stalker eu o segui no Instagram e no LinkedIn. E que bom que fiz isso. Afinal, foi assim que descobri que ele ministraria o curso ‘’UX Writing - Conteúdo Estratégico para a Experiência do Usuário’’, organizado junto da PUC-RIO (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro).
Por quatro dias, eu e mais 22 estudantes do mundo de UX Writing, aprendemos, na prática (veja os meus exercícios) e na teoria, mais de perto o quão incrível é essa ferramenta de palavras, que tem apenas 6 anos de vida.

Imagem retirada da apresentação do curso
Sobre o Curso
Primeiramente, eu gostaria de elogiar a didática do Bruno. A forma simples, direta e descontraída com a qual ele ministrou as aulas durante os quatro dias.
O curso tinha como objetivo explicar os três pilares que o UX Writing é dividido: usabilidade de texto, semântica e arquitetura da informação. E assim foi feito.
Primeira aula – diferenças, princípio e introdução a ferocidade
Já de início, compreendemos a diferença entre copywriting, webwriting, ux writing e tech writing.

Imagem retirada da apresentação do curso
Com o entendimento das diferenças, começamos a nos aprofundar em UX Writing. O primeiro ponto foi os princípios da ferramenta: utilidade e orientação.
/ ‘’UX Writing é escolher a palavra certa com autossuficiência e autoexplicativa para um local específico (título, botão, menu)’’ – Bruno Rodrigues
Ainda na primeira aula, fomos introduzidos no mundo da Ferocidade de consumo de informação, que particularmente me deixou bem intrigada. A ferocidade é a compulsão por informação. Segundo o Bruno, é ‘’a vontade de meter a mão na tela e pegar a informação de maneira instantânea’’. Conforme escutava a explicação, fui percebendo o quão verdadeiro era o estudo sobre, pois fazia parte da minha realidade, como profissional que escreve para um público específico, e como usuária do meio digital.
Como uma jornalista, por formação, ter conhecido a Ferocidade da informação foi extremamente louco, pois, no fim, mudou muitos conceitos de estrutura de texto e de entendimento de persona que eu havia estudado na graduação e quase que levava como verdade.
Segunda aula – ferocidade e metáfora da cebola
Iniciamos a noite relembrando e continuando falando sobre a Ferocidade, afinal, o assunto é fantástico, real e tão atual. No entanto, dessa vez, o foco foi a Ferocidade ligada totalmente ao UX Writing.
Para explicar como podemos usar a Ferocidade ao nosso favor, por meio das palavras, o Bruno usou a ‘’metáfora da cebola’’.

Imagem retirada da apresentação do curso
De maneira geral, são as camadas que trabalhamos:
- a 1ª sendo a “vitrine” do nosso Ux Writing, onde trazemos a apresentação (título e descrição) e a imagem (legenda e descrição – alt image), já na primeira tela, sendo assim, o primeiro contato do conteúdo com o usuário e onde temos que ‘’ganha-lo’’;
- e, em seguida, a 2ª camada, que temos o título e o texto principal. No conteúdo focal, temos a área cega, que normalmente é a última parte do texto, a qual, dependendo do tamanho, o leitor não chegará a ler, então, precisa ser cuidadosamente planejada com o conteúdo que terá.

Imagem retirada da apresentação do curso

Imagem retirada da apresentação do curso
A ideia da metáfora é explicar que a entrega dos dados logo de início, no primeiro parágrafo do texto, é a melhor coisa para o modelo mental dos usuários da ferocidade da informação.
Terceira aula – SEO, conteúdo móvel e fórmula do Ux Writing
Dentre muito do que foi falado, algo que o Bruno deixou bem pontuado foi que hoje em dia existem apenas 2 boas práticas de UX Writing para conteúdo móvel. A 1ª seria o CTA (call to action) e que o verbo de ação (ex: conheça, saiba...) deve estar presente no título, seja no início, meio ou fim, mas deve estar no título. Reforçando que CTA não é necessariamente um botão e sim uma ‘’chamada para uma ação’’. E a 2ª fala sobre a Imagem usada, e o quão bem pensada ela tem de ser, pois é o detalhe principal, em forma gráfica, antes do conteúdo total.
Ao falar de CTA e os verbos de ação, falamos também sobre encontrar as palavras certas para usar durante o texto. Para isso, usamos Social Listening (mídias sociais) e/ou base de SEO (semrush, analytics). Identificando as melhores palavras/dados, conseguimos desenvolver um texto focado em SEO/UX Writing que chame atenção do leitor móvel.
Há uma ‘’fórmula’’ usada hoje para conteúdos móveis, ela é:
- Título: CTA (com verbos esclarecedores)
- 3 itens: frase com três principais informações que saltam aos olhos do usuário
- Entretítulo: é um ‘’novo’’ título que dará estímulo ao leitor para continuar a leitura
- 3 itens: frase com três principais informações que saltam aos olhos do usuário
Quarta aula – semântica e arquitetura da informação
Para o último dia, além de uma dinâmica sensacional (veja os exercícios), compreendemos mais sobre dois dos três pilares de UX Writing, semântica e arquitetura da informação.
/ ''Em UX Writing, semântica é o mergulho no universo da fala e da escrita dos públicos, para recolher as palavras e expressões que mais lhes sejam úteis e lhes deem senso de orientação'' – Bruno Rodrigues
Durante a aula, aprendemos a construir um Dicionário de Vocabulário Controlado, e a diferença dele para glossário.
- Glossário: é um conjunto de termos/palavras/expressões utilizadas na empresa internamente ou no mercado/nicho específico
- Dicionário de vocabulário controlado: São as palavras/expressões que o povo fala, independente da relação com a sua empresa/marca
E finalizamos esses quatro dias falando da estruturação das palavras de ordem, junto da arquitetura da informação. E o quão importante a Organização, Navegação, Rotulação e Nomeação, e da Busca, são para que nosso trabalho como UX Writer seja preciso, organizado, intuitivo, conciso e claro, faz parte dessa construção.
...
Uma quase graduação de UX Writing em 4 dias
Foram tantas coisas novas que aprendi, tantas discussões interessantes e necessárias que tivemos, e muita entrega de todos os presentes nas aulas.
Sair de um curso tendo a certeza de que se está no caminho certo, é ótimo. O copywriting está na minha vida há um tempo e ter o UX Writing entrando cada vez mais forte está sendo sensacional.
Ter a possibilidade de aprender sobre essa ferramenta fenomenal com mestres incríveis, como o Bruno, é de uma gradeza única, me sinto privilegiada demais.
E mestre que é mestre transmite conhecimento. Por isso, durante os dias, fizemos diversos exercícios os quais convido-os para dar uma olhada nos desenvolvidos por mim, em parceria com colegas ‘’aleatórios’’ em cada dia.
E claro, ter base teórica é fundamental. Por isso, está anotadinho e agora compartilhado, os livros indicados:
- O cérebro no mundo digital - Maryanne Wolf
- Copywriting – Paulo Maccedo (comprar o segundo)
- The Artists Way – Julia Cameron (é sobre escrita criativa)
- Microcopy: The Complete Guide - Kinneret Yifrah
- Redação Estratégica para UX - Torrey Podmajersky
- Writing is Designing - Michael J. Metts e Andy Welfle
- Interfaces digitais - André Grilo (livro gratuito)
- Ergodesign e Arquitetura da Informação - Luiz Agner
Imagem de capa: Débora Laurindo
Post a comment